domingo, 8 de março de 2009

ACADEMICISMO OU ACEPÇÃO DE PESSOAS?

Longe de pretendermos uma discussão sociológica, entendemos que, todas as sociedades se organizam em classes e que nas camadas superiores sempre estão aqueles que se sobressaem. De uma maneira geral, todos os homens têm necessidade de reconhecimento e aceitação social. Quanto mais alto nesta hierarquia,maiores serão suas possibilidades de sucesso. Na sociedade moderna, a formação acadêmica é um dos ingredientes indispensáveis para se alcançar o sucesso. Alguém poderá perguntar: “O que isso tem haver com a Igreja?”.
Apesar de sermos eleitos por Deus para viver de maneira distinta dos demais, também fazemos parte dessa sociedade e como indivíduos, sentimos as mesmas necessidades de reconhecimento e aceitação. Mas não podemos nos esquecer que nosso caminho é diferente, e inverter os valores. A formação acadêmica se tornou uma exigência nesta sociedade excludente, onde impera a competição, egoísmo e incredulidade. Temos que discernir de onde vem esta pressão.“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR. Is. 55:8”
Nós, como povo de Deus, devemos nos preparar em todos os sentidos. Investir também na preparação acadêmica, mas sem fazer dela uma prioridade máxima.“Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas”.Mt. 6:33. A bíblia diz que somos filhos e embaixadores de Deus nesse mundo. Quer doutos ou não, estamos devidamente credenciados por Ele. Felipe era um simples servidor de mesas e como Deus o usou ! “E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade”. At. 8:5 a 8.”
Os cristãos que tiverem oportunidade de se preparar em boas escolas e faculdades devem fazê-lo sim, e que sejam autênticos representantes de Deus, onde estiverem. Só não podemos permitir que o orgulho e o preconceito façam parte de nossas vidas. Estamos abordando este assunto porque infelizmente, temos visto com muita freqüência nas igrejas, uma supervalorização do nível cultural e um preconceito velado sobre os indoutos, como acontece na sociedade secular. A bíblia nos ensina a não agirmos assim. Vejamos o que disse Tiago: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, em acepção de pessoas” Tg.2:1
Certa ocasião, um renomado missionário do interior, agendou uma palestra em uma grande igreja, para compartilhar-lhes o que Deus estava operando em seu campo. Chegando a data combinada o missionário teve impedimentos para ali comparecer, então resolveu enviar um de seus discípulos, representando-o. Quando o discípulo se dirigia para o seu compromisso, o ônibus em que ele estava sofre uma avaria e é obrigado a parar.Após várias horas de espera à beira da estrada de terra, o discípulo evangelista consegue uma carona de um motoqueiro.Neste ínterim o pastor anfitrião, já preocupado pelo atraso, resolve esperar o missionário em plena calçada. Daí a pouco chega o evangelista, todo empoeirado e para descontentamento do pastor, era um homem negro. Após esclarecimentos e desculpas por parte do evangelista, o pastor o recebe sem dar-lhe o menor crédito.
Enquanto o evangelista se recompunha de sua exaustiva viagem, o pastor orientava seus assistentes para que colocassem a tribuna próxima aos primeiros bancos e ao menor sinal de heresia, tomaria lhe o microfone. Deu-se início ao culto com um período de cânticos em perfeição sinfônica.Terminado este período, a palavra foi entregue ao evangelista do interior. Este então se apresenta, diz a todos a passagem bíblica que iria discorrer e pede para alguém lê-la, pois ele não sabia ler. Neste instante houve um burburinho entre os presentes. O pastor fala ao ouvido do seu assistente: “Só me faltava essa, um pregador em péssimo estado de apresentação, negro e ainda por cima analfabeto. Só pode ser uma brincadeira de mal gosto daquele missionário! Ele vai se ver comigo.”
O texto foi lido e o evangelista pregou apenas quinze minutos, pois seu vocabulário não lhe permitiria estender por mais tempo. Mas foi a mais pura exposição das escrituras que aquelas pessoas jamais ouviram. Ao terminar sua pregação a glória de Deus inundou aquele lugar.Um profundo arrependimento tomou conta daquelas pessoas e mesmo sem apelo todas vieram à frente, prostrando-se em lágrimas, diante de Deus e de seu humilde servo. “Eis que farei aos sinagoga de satanás (aos que dizem judeus e não são, mas mentem), eis que eu farei que venham, e se prostrem aos seus pés , e saibam que eu te amo.” Ap. 3:9. Fatos semelhantes a este se repetem todos os dias. Somos tendentes a julgar as pessoas como o mundo as julga. Esta não é uma prática de cristãos e sim de fariseus.“Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele. II Cor. 1:26 a 29.”
Nosso inimigo tem conseguido influenciar alguns, despertando-lhes o orgulho das castas. A estratégia do inimigo é tão sutil e ardilosa que quase não se percebe. Até entre os ministros da palavra podemos ver o inimigo agindo, armando laços e estimulando-lhes a vaidade. Estes, quando se apresentam em igrejas, congressos ou em suas publicações, colocam antes de seus nomes, as credenciais humanas como títulos honoríficos. Ex: Bacharel em Teologia, P.H.D. em Teologia, D.D. (Doutor em Divindade) e outros. Será que teríamos coragem de nos apresentar diante de Deus com estes títulos?
Quando o ministro é leigo (o que já é uma inverdade, pois aquele que Deus capacita não é leigo) e alcançou notoriedade pela ação de Deus em sua vida, coloca-se antes do seu nome o honroso título Autodidata (outra inverdade, porque ninguém se faz ministro de Deus por si mesmo). O mais triste nesta história é que tem muita gente boa, colunas na Igreja, embarcando nessa canoa furada, deixando-se prender desavisadamente por honrarias deste mundo, que só nos servem de laço. “O homem que lisonjeia a seu próximo, arma uma rede aos seus passos.” Pv. 29:5Alguns pensam que este assunto é de pouca importância, mas são as raposinhas que causam mais danos ao vinhedo.
Paulo nos dá um bom exemplo para seguirmos, quando em suas cartas se apresenta como servo de Cristo, mensageiro de Cristo, escravo de Cristo, prisioneiro de Cristo e não com os títulos honrosos que possuía. É triste dizer, mas existem pastores que, quando lhe perguntam seu nome, acrescentam o título antes do nome, esquecendo-se que se trata apenas de uma função serviçal. Outros, não gostam quando são chamados de irmão e exigem que lhes chame de “pastor”. Mais uma vez, estamos nos parecendo com os fariseus. Vejamos alguns conselhos de Jesus que ainda vigoram: “Então falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas sua obras; porque dizem e não fazem. Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com um dedo querem movê-los. Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. “Vos, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é o vosso mestre, e vos todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é o vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.” Mt 23: 1ao12.
A igreja evangélica teve o cuidado de não chamar seus líderes de pai (padre e papa), mas erra quando chama seus líderes por guia (Pastores, presbíteros e bispos).
O objetivo deste ensinamento não é banir da igreja os ministérios sacerdotais com seus deveres e prerrogativas, mas sim exortar àqueles a quem foram confiadas estas funções, sobre o perigo que os ronda tão de perto, ou seja, o orgulho espiritual. O mesmo que seduziu os escribas, fariseus.

Nosso chamado é para servir, não importando nosso nível econômico, cultural, social ou ministerial. As recompensas serão a alegria de servir a Deus, ver pessoas sendo salvas e restauradas, e na vida eterna o galardão pelo serviço prestado.

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