sábado, 8 de novembro de 2008

Defender a fé é o mesmo que julgar?

{TextosReforma} Márcio Melânea - do Autor: Robson T. Fernandes

Muitas pessoas têm se perguntado sobre a essência de se defender a fé. Se ao fazê-lo não se estaria julgado a pessoa que traz um ensino não condizente com a Sagrada Escritura. Em geral, fora da igreja evangélica, ao se lançar questionamentos na área religiosa cria-se uma polêmica acompanhada de debates acirrados, pois têm-se ensinado que devemos respeitar a religiosidade dos povos, e por isso não se deve questionar o estilo e opção religiosa de ninguém, para que assim consiga-se caminhar rumo a um ecumenismo mundial, alicerçado na tolerância e aceitação da pluralidade de religiões. Em geral, no seio da Igreja Cristã Evangélica, ao se falar sobre os conflitos doutrinários do Russelismo, Mormonismo, Espiritismo, Islamismo, Catolicismo e outras seitas e religiões em comparação com a Bíblia Sagrada, cria-se um debate esclarecedor e geralmente proveitoso na elucidação de dúvidas e no ensino prático da doutrina bíblica. O fato é que nos últimos tempos muitos denominados integrantes da igreja evangélica têm aderido a filosofia secular, em se tratando do debate religioso, e na defesa de seus pontos de vista particulares têm-se utilizado até a própria Escritura na tentativa de fazer cessar esse abordagem. Por diversas vezes afirma-se que aqueles que adentram na apologética (arte de defender a fé) tornam-se guerreiros insuportáveis na convivência, exagerados no ensino, extremistas em seus dogmas e exacerbados em seu discurso. Por diversas vezes afirma-se que "apontar" os erros das demais religiões e "denunciar" aqueles que têm distorcido a Bíblia Sagrada é o mesmo que julgar, e para isso se fazem utilizar de textos bíblicos como "Não julgueis, para que não sejais julgados". (Mt 7:1) Entendemos que, talvez, isso se dê pelo fato de colocar-se em uma posição de cuidado para não sofrer o julgamento de Deus. Entretanto, tal atitude também pode ser identificada como omissão, e ainda como conivência.Ao fazer tal afirmação, "Não julgueis, para que não sejais julgados" Jesus nos traz esclarecimentos valiosos, que são bem convenientes para esse assunto. Vejamos o texto completo:

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão". (Mt 7:1-5)
Em primeiro lugar, se julgar – nesse sentido – é errado, então aqueles que reprovam os que combatem heresias também estão julgando. Estão julgando os apologistas. Em segundo lugar, o julgamento condenado por Jesus no texto bíblico é o julgamento hipócrita, ou seja, condenar-se a prática errada dos outros sem que antes se corrija a própria vida, pois muitas vezes condena-se os outros sem que se observe a própria prática de coisas piores. Em terceiro lugar, Jesus não reprova o julgamento em si, propriamente dito, pois Ele mesmo diz, no mesmo texto que se deve tirar "primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão".

Observe bem que Jesus diz que após corrigir-se o próprio erro pode-se então auxiliar o outro na correção. O problema é que muitos não desejam a correção, mas anseiam por continuar em suas práticas erradas.Em quarto lugar, o próprio Jesus nos orienta no correto julgamento, livre da hipocrisia, pois dos versículos 15 a 20 Ele mesmo nos dá orientações sobre como proceder em um julgamento reto e justo, observando os frutos e discernindo falsos profetas vestidos de ovelhas.

O profeta Jeremias nos apresenta um problema, ao afirmar que coisa horrenda estava acontecendo porque o povo estava gostando. Todavia, ele inquire o povo perguntando- lhe o que seria feito a respeito. O povo de Deus deveria fazer algo! Ora, para se tomar uma atitude é necessário se observar com atenção e responsabilidade, e depois se proceder a um julgamento, no qual as medidas cabíveis devem ser tomadas por amor ao Senhor e compromisso com Sua Palavra.
"Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?" (Jr 5:30-31)
O apóstolo João nos diz que não é pecado julgar, desde que se faça sem partidarismo, interesse próprio nem preconceito, mas que se proceda o julgamento através da reta justiça, e nada melhor para guiar tal julgamento do que a Palavra de Deus, que é reta e justa.
"Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça" (Jo 7:24)
O apóstolo Paulo nos diz que não é pecado julgar, já que um dia haveremos de julgar até mesmo o próprio mundo. Todavia, este julgamento deve ser feito segundo os princípios de Deus, segundo a Sua Sagrada Palavra.
"Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja? Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?" (1 Co 6:2-5)
O mesmo apóstolo Paulo, falando aos gálatas, disse que enfrentou o apóstolo Pedro cara a cara, porque este tornou-se repreensível. Ainda, Paulo fez tal repreensão publicamente, porém, de acordo com o que está escrito no Evangelho.
"E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?" (Gl 2:11-14)

Por diversas vezes encontramos a orientação bíblica sobre o julgamento, principalmente no que se refere a preservação da boa doutrina bíblica.Primeiro, a BÍBLIA nos diz que devemos averiguar aquilo que é ensinado:
"Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo". (1Jo 4:1)
Segundo, a BÍBLIA nos diz que devemos notar, ou seja, destacar publicamente aqueles que têm trazido ensinos errados:
"Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu... Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe". (2 Ts 3:6,14)
Terceiro, a Bíblia nos exorta para que busquemos uma doutrina bíblica sadia:
"Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério". (2 Tm 4:1-5)

Quarto, o fato de ocorrerem conversões através das pregações de hereges não significa que está se pregando uma palavra genuinamente bíblica:
"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade".
O fato é que Jesus Cristo disse que essas pessoas (Mt 7:22-23) NUNCA foram ovelhas de Seu rebanho, e mais, disse que o que estavam fazendo era iniqüidade (pecado) pois Ele disse "vós que praticais a iniqüidade".Com isso, devemos analisar com muita integridade bíblica a qualidade e conteúdo das pregações e ensinos que são passadas para o povo de Deus, observando se estão de acordo com a Escritura Sagrada.Essa prática é louvada pela própria Bíblia (At 17:11), e deve ser exercida não só pelos denominados apologistas, pastores e professores, mas por todo aquele que deseja ter uma vida de fidelidade e comunhão com o Senhor, segundo os princípios bíblicos.

O apóstolo Paulo disse que poderíamos julgar aquilo que ouvimos, segundo a Escritura Sagrada, e disse mais, que até os seus próprios ensinos poderiam e deveriam ser confrontados com a Escritura Sagrada.
"Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo". (1Co 10:15)

"...mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema". (Gl 1:7-9).
Com certeza, se fosse nos dias atuais talvez algumas pessoas escrevessem para Paulo dizendo que ele não podia chamar ninguém de maldito. Não é mesmo? Afinal de contas, ele não poderia julgar ninguém. Ora, o próprio Paulo se coloca a disposição para ser confrontado com Escritura Sagrada e diz mais, se até ele ensinasse algo que fosse além do que está na Escritura Sagrada poderia ser chamado de maldito. Como estudantes da Bíblia podemos analisar os ensinos e mostrar os erros, a luz da Escritura. Entretanto, nos deparamos com aqueles que afirmam que apresentar a verdadeira face dos hereges e de suas heresias é errado. É julgar o próximo. Com isso, entendemos que tais pessoas têm optado por posicionar-se ao lado daqueles que tais coisas praticam e ensinam, porque o próprio Jesus disse que "ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" (Mt 6:24). Caso contrário, têm optado por outro pecado, o pecado da omissão. A omissão de ver alguém no erro, e permanecer calado, imparcial e neutro. Tudo em nome de uma distorcida adoração. A isso eu denomino de pecado de Pilatos, pois por não desejar se envolver resolve lavar as mãos.

O ato de mostrar o erro e lutar por uma doutrina bíblica e saudável é bíblica e isso em nenhum momento é visto como um julgamento distorcido e sem apoio Escriturístico. Se faz necessário entender que a Igreja de Cristo é a coluna da VERDADE!

"Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1Tm 3:15)
O crente é exortado a apresentar-se a Deus aprovado, tendo um bom testemunho ("não tem de que se envergonhar" ) e conhecendo e ensinando bem a Sagrada Escritura ("maneja bem a palavra da verdade").
"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2:15).

"O problema é que, hoje em nossos dias, poucos corajosos e abnegados servos de Deus estão dispostos a pagar o preço que os homens de Deus pagaram por dizerem a averdade e defenderem a Verdadeira mensagem e doutrina bíblica. Jermias, foi para o calabouço, passou a pão e água Jr 20...; Elias, foi chamado de perturbador de Israel I Rs 18.18, e foi ameaçado de morte por Jezabel; João Batista, esse perdeu a cabeça - literalmente Mt 14.1-11; E Paulo, apóstolo, foi decapitado II Tm 4.8. Todos esses heróis de Deus e na fé, sofreram perseguições tremendas, e morreram por defenderem a Verdade - a Fé". (Texto acresc. por Milton Adones Vieira, autor do blog: adones@comentários-escriturísticos )
Deus continue te abençoando.

-- Márcio Melânia
"Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados,sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco."(2 Coríntios 13 : 11).

2 comentários:

  1. Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor, amados irmãos!

    Um parêntese precisamos abrir, é necessário a devida distinção entre repreender e julgar, repreender é corrigir, mesmo por que, a Palavra de Deus assim requer de todos nós:

    "instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Timóteo 4.2-4)...

    Porém, uma coisa é certa, muitos dentro das igrejas hoje, não estão andando conforme a Palavra de Deus requer e, necessitam ser repreendidas, não julgadas, o julgamento virá no futuro (Tribunal de Cristo, Romanos 14.10 e Juízo Final, Apocalipse 20.11), agora hoje, elas precisam ser repreendidas para se corrigirem e arrependerem, assim serão dignas da vida eterna...

    E, o mais grave de tudo isto, é que os pastores deveriam estar repreendendo, ensinando o caminho do Senhor, exortando (exortar é animar), ensinando a doutrina, enfim, conforme Deus lhes requer, porém, são eles os grandes responsáveis pelo desvio das ovelhas...

    O que podemos notar é que, quando às vezes, como em nosso humilde blog, sempre estamos escrevendo sobre os abusos eclesiásticos modernos, muitos nos acusam de estar "julgando", quando na verdade, estamos "repreendendo" o que não está de acordo com a Palavra de Deus...

    Por isso, os desordeiros e desobedientes sempre com suas acusações de que estamos julgando, mas, se estamos vendo o que não está certo, porque estamos julgando???

    Fraternalmente.
    James.
    www.jesusmaioramor.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. PARABÉNS PELO ARTIGO,QUE DEUS POSSA TE ABENÇOAR MUITO,NO LIVRO DE OSEIAS 6:6 DIZ POIS MISERICÓRDIA QUERO,E NÃO SACRIFÍCIOS; E O CONHECIMENTO DE DEUS MAIS DO QUE O HOLOCAUSTOS.

    ResponderExcluir

Obrigado pela visita, deixe aqui seu comentário.